PoLaRaMinE

Como adorar as drogas...



Quarta-feira, Abril 30, 2008

Encontros e despedidas

É um título batido de várias histórias já contadas. A minha não é muito diferente das outras, é apenas minha. Já diria Vinícius que a vida é a arte do encontro, ele sempre fala o que a gente tem preguiça de pensar! Pois bem, na pequena saga de minha vida sempre tive a sorte de encontrar as pessoas certas, claro, que com suas raras exceções. Posso não ser a pessoas mais “sortuda” ou realizada do mundo, mas uma coisa eu posso ter orgulho de falar: eu tenho amigos. Encontrei excelentes pessoas no meu caminho.

O encontro

Uma amizade sólida é baseada em confiança, companheirismo e muita paciência. Ser amigo não é passar a mão na cabeça e dizer que tudo vai dar certo, também é, mas nem sempre. Ser amigo consiste em falar das possibilidades de dar errado, de discordar, de aconselhar, de enfiar a colher no meio da briga entre o marido e a mulher. Mas para amizade não há regras, nem receita. Nem sabemos como podemos preservar. Às vezes é instinto, medo de perder, medo de magoar. Estar presente quando necessário ou não, pode ser uma passo fundamental. Saber abrir o coração e poder confiar, já é um degrau. Amor é a vista para o mar.

De uns anos para cá comecei a pensar que tudo há uma razão de ser. Eu acredito que cada pessoa que eu conheci, e que me arrependo de ter conhecido, de alguma maneira deveria ter aparecido na minha vida, se não fosse para o melhor, era para aprender o pior. Sinto-me tão grata à vida por ter me dado o dom da amizade. Sou absolutamente feliz por ter encontrado meus amigos, e por continuar encontrando pessoas tão especiais. Levaria horas para citar a importância de cada pessoa que me faz ser quem eu sou.

Despedida

A gente já nasce se despedindo do útero e morremos nos despedindo da vida. Despedida pra mim é algo além do físico, não é só de pessoa para pessoa, a despedida vai além do que vemos e sentimos. Já tive que me despedir de tantas coisas e pessoas, que às vezes o ato da despedida torna-se apenas um rito. Despedida da infância para adolescência, do sentimento de um grande amor, daquela blusinha velha que a gente adora e que vai virar pano de chão, e de tantas outras. Mas não vou ser hipócrita ao ponto dizer que a despedida física é a mais banal de todas as despedidas. Eu acho que por ser a mais dolorosa é a que a gente mais se atém. Eu sofro muito com as despedidas, e ainda mais com a antecedência dela. Pensar em me despedidas é algo que me deixa com coração partido, mesmo sem saber do que eu vou estar me despedindo.

Mas também não vamos fazer da despedida o pior dos atos. Nem todas as despedidas são para sempre. E a gente esquece do re-encontro, que é a parte mais deliciosa da despedida. Recuso-me acreditar que as despedidas são eternas, exceto por aquelas que a gente opta por ser, quero sempre ter a certeza de novos encontros.

Novos caminhos nos levam às despedidas, que nos levam a conhecer novas experiências e pessoas, e que enche nossos corações de esperança de novos re-encontros.

Realidade
Eu escrevi esse texto no dia vinte e quatro de abril, deste ano. E fiquei com preguiça de postar. Mas diante dos últimos acontecimentos, da morte muito prematura de nossa querida Rosa, resolvi publicar esse texto aqui, hoje, trinta de abril de 2008. Eu estou ainda muito atordoada com a notícia sem querer entender, aceitar ou me despedir de alguém que sempre me tratou muito bem, que sempre teve o cuidado de fazer um frango, ou um peixe para que eu tivesse o que comer no reveillon, que sempre se mostrou ser uma mulher muito forte e firme. Continuo tendo esperança de encontrá-la, seja em um outro plano (para os que acreditam), ou até mesmo em sonhos. Ela é certamente uma pessoa que marcou cada um dos amigos de Bia, diretamente ou indiretamente.

efeito colateral:

postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 4:42 PM


Terça-feira, Abril 08, 2008

Eu demoro, eu tardo, eu falho, mas, estou aqui. Sempre dizem que quem é vivo sempre aparece. Os mortos às vezes aparecem, mas esse não é o caso. Deus me livre de ver um!
Nossa, desde minha visita ao Rio de Janeiro que eu não atualizava. Bem, primeiro, antes de tudo e de mais nada. Tcham. Três pontinhos, suspense, trilha sonora, refrão e a parte que canta. Abre aspas, “O Rio de Janeiro continua lindo”, fecha aspas. Ah, foi muito legal ter ido ver mainha, Tucha e Dulce, eu estava com muitas saudades, falando bem, ainda estou. São seis horas e meia daqui pro Rio, a viagem é bem tranqüila, a vista da paisagem é linda, mas e só pude perceber na viagem de volta.

E aí, o que eu fiz no Rio? Não fiz muito, não. Como já havia “turistado” em 2005, então, curti mais meu povo mesmo. Tomei muito chopp, ouvi muito samba (fui para uma roda de samba), dei uma volta na lagoa Rodrigo de Freitas, tomei banho de mar em Ipanema, vi Guigui e Baiano (primos de Silvinha), passei por Ipanema, comi pra cacete, utilizei muita internet, assisti muita tevê, assisti “Pequena Miss Sunshine”, tive uma crise de riso. Fazia muito tempo que eu não chorava de rir.

A volta é sempre muito ruim, parece que os dias que a gente passou lá não foram nada, porque o vazio que fica depois é ruim demais. Mas depois passa e a gente recobra as lembranças boas e fica tudo bem de novo. Quando cheguei a BH, fiquei muito angustiada com o fato de não mais ter meu cantinho, mas como sempre fui muito bem recebida na casa de Binha. A família dela é espetacular, eu me senti pelo menos acolhida, mas não menos angustiada com a falta de lar. Mas não deixei de sair. No sábado fomos assistir ao show de Milton Nascimento na Praça da Estação. Combinamos de ir eu, Felipe, Mari e Rebeca. Acabou que a gente não encontrou com Rebeca e Mari levou um amigo dela. Gente, o show foi lindo! Pelo menos eu achei. Depois nós saímos peregrinando por alguns bares. Foi divertido. No dia seguinte teve show de graça na também na praça, mas dessa vez foi show de Skank. Imagina só, Skank de graça em BH. Cenas para o próximo bloco.

No domingo eu liguei para Aline e combinamos de irmos almoçar juntas. Chamei Binha para elas se conhecerem. Então, fomos eu, Line, Marcelo, Binha e o cunhado de Line. Terminando o almoço, muito agradável, fui para a casa dela esperar dar a hora do show. Quando o show começou Felipe me ligou. Lá fomos eu, Line e Marcelo ver o show. A parte engraçada e assustadora dessa história pode estar vindo nas próximas linhas. Eu vou enrolando e vocês vão lendo até que eu perca a paciência e conte logo a danada da história. Continuando. Chegando lá, vimos muita gente. Óbvio! Não vou mentir pra vocês não (até poderia). O show deles estava bom. Mas como diria Aline a cada piscada um susto. Se vocês acham que só por aí que tem gente feia. Pasmem! (Ahm!) Aqui também tem, e eu vi aos montes. Gente do Céu, que povo feio. Era um “malasombro” (coisas de Line) atrás do outro. Vôte! Um povo mal encarado. Cabruêra mesmo. Ficamos acho que no máximo uns quarenta minutos. Nunca mais eu vou num show popular na praça novamente.

Ah, voltando para o show no sábado. Sabe quando a gente acorda morrendo de vontade de ser abraçado? Eu acho que a pior parte de morar longe dos amigos e da família, é não ter fácil acesso a um abraço. Abraço é importante. Agora vem uma história muito bonitinha. Mariana, a Mari, é um amor. Ela é educada, prestativa, engraçada, animada, dentro de outras qualidades. Rafa ia se apaixonar fácil por ela. Ela faz total o tipo dele. Eu me divirto muito com ela. Lembro demais que estava tocando aquela música que Miltinho (pia mesmo a intimidade) canta “Maria, Maria” ela chegou para mim, para Felipe e falou como conhecer a gente foi bom. E nos deu um abraço com os olhos cheios de lágrima. Foi uma choradeira tranqüila de felicidade. Foi tão legal ser naturalmente abraçada, já que eu não havia falado para ninguém que estava precisando de um abraço.

E na segunda recomecei minha incrível jornada em busca de um canto para chamar de meu. Binha, como sempre muito prestativa (outra que é um amor), me ligou falando sobre duas vagas lá em Floresta (bairro onde fica a escola). Ela fez contato com as duas, e eu marquei de ir visitar uma das republicas na segunda e a outra na terça-feira. Dormi cheia de esperança, bem animada, até porque tinha uma que ficava quase na frente da Escola. E a outro no miúdo do bairro. Marquei com Dona Maria José de ir lá às 17h, quando foi 16h40min, eu saí de casa e perdi o busão. Resolvi ir andando porque na minha cabeça o ônibus ia demorar. Cheguei lá na hora marcada, colocando os bofes pra fora, mas tudo bem. Quando estou subindo os degraus da escada. O que acontece? O que? O que? A vaca, rapariga de cego olha para minha cara e diz:

- Já aluguei a vaga, minha filha. Resolvi descer para não fazer você subir as escadas. Mas me dê seu telefone, porque se a menina não vier amanhã, eu ligo.

Raiva? Ódio? Vontade de dar umas tapas na cara da mulher? Sim, eu senti. Fiquei murcha, murcha depois. E como eu estava perto da escola, resolvi ficar lá pelo bairro mesmo. Passei mais de duas horas rodando, andando, me embrenhando no bairro para não ser a primeira chegar, mas não adiantou nada, ainda assim fui a primeira a chegar.

Bem, reza a lenda que há males que vem para o bem, não é isso? Então, a republica em frente à Escola daria certo demais. Mas a vida é uma caixinha de surpresa já diria Joseph (Climber, Clinger, Clinder, Climper, Kinder Ovo...) e a menina da republica da terça, me mandou uma mensagem dizendo que já tinha alugado a vaga. Ah, foda-se! Resolvi não limitar mais minhas opções, até na Pampulha eu moraria (é longe, viu? Só é perto da UFMG mesmo) Entrei nas comunidades de republicas em BH e escrevi um textinho meio puto, meio dramático, falando como era difícil arranjar onde morar aqui.
Na quarta marquei de me encontrar com Amanda, ela estava em Goiás, desde que ela havia chegado, na segunda, a gente não tinha se visto ainda. Uns minutinhos antes de sair de casa, resolvi olhar o orkut. Comentei com Binha, que não custava nada dar uma olhadinha antes. E não é que eu vi uma vaga num bairro que não era muito perto da escola, era cinqüenta reais acima do preço que eu tinha previsto, mas, diante da dificuldade não havia como ficar com frescura. Liguei, marquei, fui, gostei e fiquei. Já saí com a chave e no outro dia já tinha um lar. Estou gostando do meu novo lar. Gostei das meninas. Moro com seis meninas. É mulher demais. Eu tenho meu próprio quarto, posso convidar o pessoal da Escola, Binha, Amanda, pra virem aqui. Posso receber meus amigos para se hospedarem em minha casa. O clima é bem tranqüilo. Nunca vi as seis de uma vez só, elas estão sempre em núcleos diferentes. Mas está sendo legal estar aqui. Meu quarto só tem um guarda-roupa e um colchão que Cíntia me emprestou. Mas com o tempo eu vou comprando as coisas.

Sempre que eu vou pela primeira vez num lugar aqui eu sempre me perco, né? Nem mais novidade isso é. Pois bem, na quinta-feira eu ia ter uma aula, porque houve uma segunda-feira que não houve aula porque faltou luz. Me arrumei e fui para parada de ônibus. Eu sabia que pegando o circular eu ia chegar à Escola. Um parêntese meio grande. Eu moro num bairro chamado Funcionários, é coladinho com Santa Efigênia, fica perto da Av. Contorno. Eu já expliquei para vocês que Belo Horizonte foi projetada para estar dentro dela. Pois bem, agora eu moro na parte planejada, mas ainda assim, eu me perco. Voltando. Quando cheguei à parada havia duas opções de ônibus circulares o 01 e o 02. Na minha cabeça doente seria o 02, porque eu achava que já havia pegado esse ônibus perto da escola. Para não dar sorte ao azar, resolver perguntar qual dos circulares eu pagaria. A moça me garantiu que eu poderia pegar o 02. Beleza. Vamos simbora. Todo ônibus circular roda que só a moléstia. Notei que ele havia passado por lugares que não eram tão próximos assim da Escola. Pensei. Eu sempre penso demais. “Como o ônibus é circular, ele deve passar por lá.” Eu peguei o ônibus às 18h30min, quando foram às 20h, eu estava perto de minha casa. Desci do ônibus puta, óbvio. Quando cheguei em casa e falei para as meninas, elas me falaram que o 01 que desce a contorno. Na sexta-feira, eu peguei e cheguei rapidinho na escola.

Eu conto o final de semana no próximo post. Esse já está muito grande.

Beijos.

Até depois.

Saudades.

p.s: Daqui a pouco é aniversário de Ivna, liguem para ela, e por favor, convençam ela de fazer uma comemoração, ok?

efeito colateral:

postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 9:37 PM




arquivo