Como adorar as drogas...
Segunda-feira, Junho 02, 2008
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Eu tenho tanto pra lhes falar
Eu não faço idéia onde foi que eu parei nas minhas narrativas em Belo Horizonte. Então, o que ficou para trás continuará lá atrás, falarei das coisas relevantes das últimas semanas.
Bem, gente. Acho que enfim estou aprendendo a andar por aqui. Eu sempre que vou pela primeira vez a um lugar, eu me perco. Mas é sempre coisinha leve nada demais. Depois conto uma para vocês, caso eu não me esqueça.
Em relação à cozinha. Tcham, tcham, tcham. Acho que dessa vez eu to aprendendo. Meu macarrão eu como numa boa. Meu arroz fica legal, faço muito pouco. Meu feijão, é isso mesmo, estou aprendendo a fazer feijão, ainda não ta bom. Minha primeira experiência foi semana passada. O resultado da minha tentativa foi: grão duro e feijão salgado. Quem sabe da próxima vez não sai! Minha galinha, nem tento mais. Eu ainda tenho nojo de ficar tratando. Ah, e não tem açougue perto, tem um supermercado de rico caro pra porra. Tanto que tipo, eu sou compro coisas de padaria mesmo.
Meu curso está ótimo. Vou ser a diretora de produção. Estou super empolgada com a realização do curta da turma. Vou me empenhar ao máximo para que tudo der super certo.
Trabalho. Ainda estou em busca, estou esperando algumas respostas. Pelo menos uma tem que ser positiva, né?
Casa. Nossa, as meninas da republica são muito legais. A gente está enfrentando m problema com a encanação. A pia do tanque tem problemas sai muita pouca água. Agora, imagina só, eu lavando roupa com um filetinho de água. É um inferno. Mas derem um jeito, a gente só não pode usar ainda. E enquanto isso, só aumenta as peças de roupa para lavar. Mas o pior não é nada, o meu apartamento é uma pequena Sibéria, sempre faz mais frio dentro de casa que fora, é uma bosta. Às vezes eu minimizo o frio de fora achando que é só dentro de casa e me fodo. Eu passo um pouquinho de frio aqui, mas porque não sou precavida, agora que eu to me ligando no clima. É serra, gente, para mim faz frio.
Frio. Já que estamos falando nele. No sábado fui fazer um curso de planejamento num sítio que fica em Rio Acima, cidade montanhosa, linda a estrada, dava para ver umas cachoeiras. Gente, você não acreditam no lugar. Lá é maravilhoso, lindo, tem uma cachoeira, e são 1.600m acima do nível do mar. Sem noção do meu frio. Salve o chocolate quente e as muitas roupas que eu levei. Eu sou de praia, acostumada com calor, sentir frio muitas vezes é incomodo. Eu não sei me vestir pro frio.
Serra do Cipó. Nossa, a Serra do Cipó foi maravilhoso. Fomos para lá no feriado de Tiradentes. Quem foi? Eu, Mari, Felipe e Souza. Nós alugamos uma casa lá, muito linda, muito aconchegante. A viagem foi excelente.
Eu tenho um tanto a mais de coisa para lhes falar, mas que agora eu não lembro o que dizer só que aproveitando o meu ensejo no Bob Charles: Como é grande o meu amor por vocês.
Agora tenho internet e vou tentar ser mais periódica, está bem?
Beijos.
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 1:57 AM
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Quarta-feira, Abril 30, 2008
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Encontros e despedidas
É um título batido de várias histórias já contadas. A minha não é muito diferente das outras, é apenas minha. Já diria Vinícius que a vida é a arte do encontro, ele sempre fala o que a gente tem preguiça de pensar! Pois bem, na pequena saga de minha vida sempre tive a sorte de encontrar as pessoas certas, claro, que com suas raras exceções. Posso não ser a pessoas mais “sortuda” ou realizada do mundo, mas uma coisa eu posso ter orgulho de falar: eu tenho amigos. Encontrei excelentes pessoas no meu caminho.
O encontro
Uma amizade sólida é baseada em confiança, companheirismo e muita paciência. Ser amigo não é passar a mão na cabeça e dizer que tudo vai dar certo, também é, mas nem sempre. Ser amigo consiste em falar das possibilidades de dar errado, de discordar, de aconselhar, de enfiar a colher no meio da briga entre o marido e a mulher. Mas para amizade não há regras, nem receita. Nem sabemos como podemos preservar. Às vezes é instinto, medo de perder, medo de magoar. Estar presente quando necessário ou não, pode ser uma passo fundamental. Saber abrir o coração e poder confiar, já é um degrau. Amor é a vista para o mar.
De uns anos para cá comecei a pensar que tudo há uma razão de ser. Eu acredito que cada pessoa que eu conheci, e que me arrependo de ter conhecido, de alguma maneira deveria ter aparecido na minha vida, se não fosse para o melhor, era para aprender o pior. Sinto-me tão grata à vida por ter me dado o dom da amizade. Sou absolutamente feliz por ter encontrado meus amigos, e por continuar encontrando pessoas tão especiais. Levaria horas para citar a importância de cada pessoa que me faz ser quem eu sou.
Despedida
A gente já nasce se despedindo do útero e morremos nos despedindo da vida. Despedida pra mim é algo além do físico, não é só de pessoa para pessoa, a despedida vai além do que vemos e sentimos. Já tive que me despedir de tantas coisas e pessoas, que às vezes o ato da despedida torna-se apenas um rito. Despedida da infância para adolescência, do sentimento de um grande amor, daquela blusinha velha que a gente adora e que vai virar pano de chão, e de tantas outras. Mas não vou ser hipócrita ao ponto dizer que a despedida física é a mais banal de todas as despedidas. Eu acho que por ser a mais dolorosa é a que a gente mais se atém. Eu sofro muito com as despedidas, e ainda mais com a antecedência dela. Pensar em me despedidas é algo que me deixa com coração partido, mesmo sem saber do que eu vou estar me despedindo.
Mas também não vamos fazer da despedida o pior dos atos. Nem todas as despedidas são para sempre. E a gente esquece do re-encontro, que é a parte mais deliciosa da despedida. Recuso-me acreditar que as despedidas são eternas, exceto por aquelas que a gente opta por ser, quero sempre ter a certeza de novos encontros.
Novos caminhos nos levam às despedidas, que nos levam a conhecer novas experiências e pessoas, e que enche nossos corações de esperança de novos re-encontros.
Realidade
Eu escrevi esse texto no dia vinte e quatro de abril, deste ano. E fiquei com preguiça de postar. Mas diante dos últimos acontecimentos, da morte muito prematura de nossa querida Rosa, resolvi publicar esse texto aqui, hoje, trinta de abril de 2008. Eu estou ainda muito atordoada com a notícia sem querer entender, aceitar ou me despedir de alguém que sempre me tratou muito bem, que sempre teve o cuidado de fazer um frango, ou um peixe para que eu tivesse o que comer no reveillon, que sempre se mostrou ser uma mulher muito forte e firme. Continuo tendo esperança de encontrá-la, seja em um outro plano (para os que acreditam), ou até mesmo em sonhos. Ela é certamente uma pessoa que marcou cada um dos amigos de Bia, diretamente ou indiretamente.
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 4:42 PM
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Terça-feira, Abril 08, 2008
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Eu demoro, eu tardo, eu falho, mas, estou aqui. Sempre dizem que quem é vivo sempre aparece. Os mortos às vezes aparecem, mas esse não é o caso. Deus me livre de ver um!
Nossa, desde minha visita ao Rio de Janeiro que eu não atualizava. Bem, primeiro, antes de tudo e de mais nada. Tcham. Três pontinhos, suspense, trilha sonora, refrão e a parte que canta. Abre aspas, “O Rio de Janeiro continua lindo”, fecha aspas. Ah, foi muito legal ter ido ver mainha, Tucha e Dulce, eu estava com muitas saudades, falando bem, ainda estou. São seis horas e meia daqui pro Rio, a viagem é bem tranqüila, a vista da paisagem é linda, mas e só pude perceber na viagem de volta.
E aí, o que eu fiz no Rio? Não fiz muito, não. Como já havia “turistado” em 2005, então, curti mais meu povo mesmo. Tomei muito chopp, ouvi muito samba (fui para uma roda de samba), dei uma volta na lagoa Rodrigo de Freitas, tomei banho de mar em Ipanema, vi Guigui e Baiano (primos de Silvinha), passei por Ipanema, comi pra cacete, utilizei muita internet, assisti muita tevê, assisti “Pequena Miss Sunshine”, tive uma crise de riso. Fazia muito tempo que eu não chorava de rir.
A volta é sempre muito ruim, parece que os dias que a gente passou lá não foram nada, porque o vazio que fica depois é ruim demais. Mas depois passa e a gente recobra as lembranças boas e fica tudo bem de novo. Quando cheguei a BH, fiquei muito angustiada com o fato de não mais ter meu cantinho, mas como sempre fui muito bem recebida na casa de Binha. A família dela é espetacular, eu me senti pelo menos acolhida, mas não menos angustiada com a falta de lar. Mas não deixei de sair. No sábado fomos assistir ao show de Milton Nascimento na Praça da Estação. Combinamos de ir eu, Felipe, Mari e Rebeca. Acabou que a gente não encontrou com Rebeca e Mari levou um amigo dela. Gente, o show foi lindo! Pelo menos eu achei. Depois nós saímos peregrinando por alguns bares. Foi divertido. No dia seguinte teve show de graça na também na praça, mas dessa vez foi show de Skank. Imagina só, Skank de graça em BH. Cenas para o próximo bloco.
No domingo eu liguei para Aline e combinamos de irmos almoçar juntas. Chamei Binha para elas se conhecerem. Então, fomos eu, Line, Marcelo, Binha e o cunhado de Line. Terminando o almoço, muito agradável, fui para a casa dela esperar dar a hora do show. Quando o show começou Felipe me ligou. Lá fomos eu, Line e Marcelo ver o show. A parte engraçada e assustadora dessa história pode estar vindo nas próximas linhas. Eu vou enrolando e vocês vão lendo até que eu perca a paciência e conte logo a danada da história. Continuando. Chegando lá, vimos muita gente. Óbvio! Não vou mentir pra vocês não (até poderia). O show deles estava bom. Mas como diria Aline a cada piscada um susto. Se vocês acham que só por aí que tem gente feia. Pasmem! (Ahm!) Aqui também tem, e eu vi aos montes. Gente do Céu, que povo feio. Era um “malasombro” (coisas de Line) atrás do outro. Vôte! Um povo mal encarado. Cabruêra mesmo. Ficamos acho que no máximo uns quarenta minutos. Nunca mais eu vou num show popular na praça novamente.
Ah, voltando para o show no sábado. Sabe quando a gente acorda morrendo de vontade de ser abraçado? Eu acho que a pior parte de morar longe dos amigos e da família, é não ter fácil acesso a um abraço. Abraço é importante. Agora vem uma história muito bonitinha. Mariana, a Mari, é um amor. Ela é educada, prestativa, engraçada, animada, dentro de outras qualidades. Rafa ia se apaixonar fácil por ela. Ela faz total o tipo dele. Eu me divirto muito com ela. Lembro demais que estava tocando aquela música que Miltinho (pia mesmo a intimidade) canta “Maria, Maria” ela chegou para mim, para Felipe e falou como conhecer a gente foi bom. E nos deu um abraço com os olhos cheios de lágrima. Foi uma choradeira tranqüila de felicidade. Foi tão legal ser naturalmente abraçada, já que eu não havia falado para ninguém que estava precisando de um abraço.
E na segunda recomecei minha incrível jornada em busca de um canto para chamar de meu. Binha, como sempre muito prestativa (outra que é um amor), me ligou falando sobre duas vagas lá em Floresta (bairro onde fica a escola). Ela fez contato com as duas, e eu marquei de ir visitar uma das republicas na segunda e a outra na terça-feira. Dormi cheia de esperança, bem animada, até porque tinha uma que ficava quase na frente da Escola. E a outro no miúdo do bairro. Marquei com Dona Maria José de ir lá às 17h, quando foi 16h40min, eu saí de casa e perdi o busão. Resolvi ir andando porque na minha cabeça o ônibus ia demorar. Cheguei lá na hora marcada, colocando os bofes pra fora, mas tudo bem. Quando estou subindo os degraus da escada. O que acontece? O que? O que? A vaca, rapariga de cego olha para minha cara e diz:
- Já aluguei a vaga, minha filha. Resolvi descer para não fazer você subir as escadas. Mas me dê seu telefone, porque se a menina não vier amanhã, eu ligo.
Raiva? Ódio? Vontade de dar umas tapas na cara da mulher? Sim, eu senti. Fiquei murcha, murcha depois. E como eu estava perto da escola, resolvi ficar lá pelo bairro mesmo. Passei mais de duas horas rodando, andando, me embrenhando no bairro para não ser a primeira chegar, mas não adiantou nada, ainda assim fui a primeira a chegar.
Bem, reza a lenda que há males que vem para o bem, não é isso? Então, a republica em frente à Escola daria certo demais. Mas a vida é uma caixinha de surpresa já diria Joseph (Climber, Clinger, Clinder, Climper, Kinder Ovo...) e a menina da republica da terça, me mandou uma mensagem dizendo que já tinha alugado a vaga. Ah, foda-se! Resolvi não limitar mais minhas opções, até na Pampulha eu moraria (é longe, viu? Só é perto da UFMG mesmo) Entrei nas comunidades de republicas em BH e escrevi um textinho meio puto, meio dramático, falando como era difícil arranjar onde morar aqui.
Na quarta marquei de me encontrar com Amanda, ela estava em Goiás, desde que ela havia chegado, na segunda, a gente não tinha se visto ainda. Uns minutinhos antes de sair de casa, resolvi olhar o orkut. Comentei com Binha, que não custava nada dar uma olhadinha antes. E não é que eu vi uma vaga num bairro que não era muito perto da escola, era cinqüenta reais acima do preço que eu tinha previsto, mas, diante da dificuldade não havia como ficar com frescura. Liguei, marquei, fui, gostei e fiquei. Já saí com a chave e no outro dia já tinha um lar. Estou gostando do meu novo lar. Gostei das meninas. Moro com seis meninas. É mulher demais. Eu tenho meu próprio quarto, posso convidar o pessoal da Escola, Binha, Amanda, pra virem aqui. Posso receber meus amigos para se hospedarem em minha casa. O clima é bem tranqüilo. Nunca vi as seis de uma vez só, elas estão sempre em núcleos diferentes. Mas está sendo legal estar aqui. Meu quarto só tem um guarda-roupa e um colchão que Cíntia me emprestou. Mas com o tempo eu vou comprando as coisas.
Sempre que eu vou pela primeira vez num lugar aqui eu sempre me perco, né? Nem mais novidade isso é. Pois bem, na quinta-feira eu ia ter uma aula, porque houve uma segunda-feira que não houve aula porque faltou luz. Me arrumei e fui para parada de ônibus. Eu sabia que pegando o circular eu ia chegar à Escola. Um parêntese meio grande. Eu moro num bairro chamado Funcionários, é coladinho com Santa Efigênia, fica perto da Av. Contorno. Eu já expliquei para vocês que Belo Horizonte foi projetada para estar dentro dela. Pois bem, agora eu moro na parte planejada, mas ainda assim, eu me perco. Voltando. Quando cheguei à parada havia duas opções de ônibus circulares o 01 e o 02. Na minha cabeça doente seria o 02, porque eu achava que já havia pegado esse ônibus perto da escola. Para não dar sorte ao azar, resolver perguntar qual dos circulares eu pagaria. A moça me garantiu que eu poderia pegar o 02. Beleza. Vamos simbora. Todo ônibus circular roda que só a moléstia. Notei que ele havia passado por lugares que não eram tão próximos assim da Escola. Pensei. Eu sempre penso demais. “Como o ônibus é circular, ele deve passar por lá.” Eu peguei o ônibus às 18h30min, quando foram às 20h, eu estava perto de minha casa. Desci do ônibus puta, óbvio. Quando cheguei em casa e falei para as meninas, elas me falaram que o 01 que desce a contorno. Na sexta-feira, eu peguei e cheguei rapidinho na escola.
Eu conto o final de semana no próximo post. Esse já está muito grande.
Beijos.
Até depois.
Saudades.
p.s: Daqui a pouco é aniversário de Ivna, liguem para ela, e por favor, convençam ela de fazer uma comemoração, ok?
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 9:37 PM
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Sexta-feira, Março 21, 2008
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Ai, gente. Que preguiça! Vou ficar parafraseando pessoas aqui, porque a preguiça não está pouca não.
Paráfrase um: “Eu tenho tanto pra te falar.” Dá-lhe, Bob.
Pessoas do meu coração. Eu tenho muita coisa pra dizer, então, vou fazer um breve resumo das últimas semanas, ok? Assim, vocês podem ter uma breve idéia do que me aconteceu. E depois vão saber as novidades.
Meu último post foi falando de uma segunda-feira, não é isso? Então, vamos fazer uma fusão com as cenas do final de semana. Estamos na sexta-feira. Depois da aula já. O professor da aula da quarta-feira convidou a turma da noite (nós somos muito animados) para uma farrinha na casa dele. Nem pestanejamos, aceitamos na hora. Quando terminou a aula, fomos num posto e compramos a birita. Tomamos todas. Foi muito divertido. Não há detalhes sórdidos, então, vamos fundir a cena com a de sábado. Apesar de ter sido uma noite light acordei com uma ressaca pesada. Mas era sábado, então, mandei a ressaca pro inferno e fui curtir o sábado. Detalhe para o sábado. A gente já tinha combinado previamente de irmos ao Baile da Saudade, uma festa que acontece no primeiro sábado de cada mês. É uma festa black, num bairro longe pra cassete. O nome da boate era, se preparem, respirem: Flash Dance Danceteria. Já comecei a gostar daí. Vai dizer que vocês não iam querer ir dançar num lugar chamado flash dance ? Gente, que coisa mais fofo. Vocês lembram das festas black, do filme “Cidade de Deus”? Eu me senti lá. Calma, o lugar era tranqüilo. O clima que era incrível. Os velhinhos com uns black power grisalhos, eram velhinhos mesmo, dançando black music. Lindo demais. E sem falar nos modelos afro descendentes lindíssimos que haviam lá.
Paráfrase dois: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”. Viva Vinícius.
Como eu tinha um prazo para ficar na casa. Ele acabou. Mas antes disso fui atrás de um novo lar. Pensei em morar no parque municipal, mas ele fecha à meia-noite. Num rola, né?
Alugar imóvel em Belo Horizonte é muito difícil para quem é de outro estado. Você precisa de dois fiadores. Um com imóvel em Belo Horizonte, e um outro com a renda três vezes maior que o valor do aluguel. Eu não tenho família lá. E quem vai querer ser fiador de alguém que não conhece. Então, vou continuar procurando vaga na casa de outra pessoa.
Voltando ao processo de mudança. No domingo, depois da festa black. Cheguei em casa rezando para que Tati e o namorado não estivessem em casa, e se estivessem, podiam estar dormindo não é? Bem, como querer não é poder. Pelo barulho do chuveiro, eles estavam em casa, e pior, alguém estava no banheiro. E eu queria tomar banho. Então, esperei até que alguém saísse. Oba. Ouvi a porta do banheiro abrindo. Só sou môca as vezes. Fui em direção ao banheiro e, ouvi o som da torneira. Esperei mais um pouco. Advinha quem sai do banheiro como veio ao mundo? O namorado de Tatiana. O animal não entendeu que eu também morava lá, e que poderia querer usar o banheiro também. Fiquei eu e ele morrendo de vergonha, por culpa dele. Desde desse dia, rezei para não encontrar mais os dois mesmo. Ia ser minha última semana na casa, então, queria arrumar minhas coisas em paz.
Com a dificuldade em alugar um imóvel, desisti, e estou à procura de um lugar que eu possa ficar pelo menos até agosto, que é quando eu vou para aí.
Paráfrase três: “É cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais”.
O dia de sair da casa. Sexta-feita, 14 de março de 2008. Voltei para a casa de Binha, que muito gentilmente sempre me acolhe lá.
Sabe a mala rosa que eu me orgulhei tanto em ter comprado porque ela era enorme? Me arrependi. Ela é grande, pesada e eu sempre me lasco com ela. Arrumei minhas tralhas, fiz uma carta simpática para Tati (nem devia, porque fiquei chateada com ela por alguns motivos) e chamei o táxi.
Estava chovendo e eu tinha que carregar a mala rosa enorme e pesada, sozinha. Beleza. Quando o táxi chegou coloquei a mala lá e fui pegar as outras coisas que ficaram dentro.
Vamos fazer um flashback. Na quarta-feira quando eu para aula, estava chovendo muito. Então, como havia comprado uma sombrinha fui fazer uso dela. O corredorzinho que a gente entra na vila é bem estreito, e eu já comecei a ficar atolada pela sombrinha ali. Levantei um pouquinho ela. Pow. Só escuto e vejo o pipoco de Thundera (não sei se é assim que se escreve). Minha sombrinha se agarrou com o fio que abre e fecha o portão de lá. E eu morrendo de levar um choque dei um puxão na sombrinha, que enfim, soltou do fio. Voltemos à sexta-feira.
Deixei o portão aberto para facilitar meu trabalho de transportar meus troços. Depois que tirei tudo da casa, resolvi jogar as minhas chaves para dentro de casa, assim, não teria que me encontrar com Tati para entrega-la depois. Quando eu ouvi o plim da chave caindo, que me ocorreu que o portão poderia ter se fechado e eu não teria como abrir sem a chave. É uma inteligência muito rara, viu? Vai ser idiota assim na puta que pariu. Fui acreditando que estava aberta. Mas sabemos que não ia estar. Lá vai eu bater de porta em porta, atrás de alguém que pudesse abrir o portão para mim. Achei uma velhinha, tão bonitinha. Uma simpatia ela. Queria tê-la conhecido antes. Ela era muito fofinha. Me ajudou a abrir a porta. E me perguntou por que eu tava indo. Fui sem querer ir. Juro. Gostei demais de lá. Era zen. Eu não curtia muito meus vizinhos, os de porta, eles era barulhentos, mas não eram pessoas más. Nem o fato de não gostar do barulho deles me fazia querer menos morar lá. Queria muito que aquela casa fosse minha e não de Tati. Queria muito que coubesse à mim a decisão de entregar ou não aquela casa. Mas, infelizmente, tive que ir.
Paráfrase quatro: “O Rio de Janeiro continua lindo”.
Saí meio fugida, meio achada de Belô, para o Rio de Janeiro. Vim ver minha mãe, meu irmão e a família que tenho aqui. Pouco tenho a dizer por agora. Apenas que: estou comendo feijão. E estou feliz.
Paráfrase cinco: “Viver sem ter a vergonha de ser feliz”. Se tá ruim, a gente ajeita.
Beijos.
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 1:17 AM
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Terça-feira, Março 04, 2008
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Uma segunda-feira na minha vida
No sábado à noite eu havia mandando uma mensagem para Aline. Pensei que talvez a gente pudesse fazer algo no domingo. Bem, ela não me ligou. Normal, não é? Aline nunca responde meus e-mails. Para minha surpresa na segunda-feira ela retorna minha ligação:
- Peste, tudo bom?
- Alineana meu! Você não me chama mais de Mon Biju. Você não me ama mais – disse eu com voz de quem foi desprezada por uma amiga.
Aline como sempre muito engraçada no jeito alineanamente de ser. Respondeu:
- Ô peste. Esqueci o celular no silêncio na sexta-feira, e só vim notar agora.
Que coisa mais Alineana. Por isso que ela não havia me retornado. Ela era minha amiga, ela não estava me desprezando, apenas, não leu a mensagem que eu havia mandado. Melhor, não é? Então, ela resolveu me convidar para passar o dia com ela. Procurou os ônibus que eu deveria pegar para chegar à casa dela. Ela me deu os pontos de referência tudo direitinho. Ok. Vai ser mole, mole chegar lá. Já sei andar nesta cidade. Pensei tudo isso. E parti para meu caminho até a casa dela.
Primeiro ponto de referência Praça Sete com Afonso Pena. O que haveria de mais fácil. Agora é só pegar o ônibus 2004, ver o posto Ale e o Hospital Belo Horizonte. E já estou lá. Urru! Fácil demais. Entrei no 2004 e fui prestando atenção aos pontos de referência. Ótimo. Passamos pela Savassi, Sion, BH Shopping, Nova lima. Êpa! Pára aí. Onde mesmo? Nova Lima?! Ué, Nova Lima não é grande Belo Horizonte, não? Pera. Pera. Pera. A cerra do currau. Ih! Lascou. Já passei da casa de Aline e agora só o Santo GPS sabe onde eu estou. Ih, mas lascou bonito. Fudeu mesmo. Minha Nossa, onde eu estou? Não, agora eu vou ter que perguntar onde eu estou, para onde eu vou e será que eu chego lá. Uma moçinha nada simpática que estava ao meu lado me falou:
- Xiiii... Passou faz muito tempo.
- E onde nós estamos.
- Ah, estamos em h&ghsj@bddbd.
- Beleza! E para onde vamos.
- hahhf%$&@hjghui.
- Muito obrigada.
Recolhe-me a minha insignificância. Comecei a achar que eu estava indo para Confins. Não a cidade, o inferno mesmo. Desesperada mando uma mensagem para Aline:
Amiga, lascou feio. Me perdi lindo. Não faço a menor idéia onde eu estou mas sei que estou indo para o ponto final do ônibus.
Ela me liga e gentilmente fala:
- Animal, você pegou qual ônibus.
- O 2004, como você havia me falado.
- E onde você está?
- Não sei. Mas estou indo pro ponto final do ônibus e na volta eu chego aí.
Ela me deu novamente novos pontos de referências. Bem, chegarei lá dessa vez com certeza. Quando eu descer desse ônibus eu vou pedir para ao cobrador do outro ônibus me avisar quando estiver chegando perto. E o ônibus continuou indo, indo, indo. Até que o ponto final dele chegou. Longe para dedéu, viu? Eu acho que foram duas horas, nessa brincadeirinha de me perder.
Desci de um ônibus e subi num outro. O seu Cobrador me perguntou de onde eu vinha, para onde eu ia, e me garantiu que eu ia chegar lá. Muito educadamente pedi para que ele me avisasse quando chegasse o Hospital Belo Horizonte, que na próxima parada era meu ponto. Beleza. Depois que eu falei isso para ele, chegamos (ele chegou) numa conclusão. Ele me disse:
- Você pegou o ônibus no sentindo errado! Era para você ter ido para lá e não para cá.
- Sério? Desde que eu entrei no ônibus, eu já estava perdida?
- Não sei perdida. Mas onde você queria chegar, não ia não.
- Acho que eu notei – falei para eu mesma.
De novo na rota. Dessa vez tinha que dar certo. Eu acho que o cobrador ficou meu amigo, porque ele me ofereceu um picolé de morango. Passamos pelo ponto que eu deveria ter pego o ônibus. Bem, pelo menos de novo para casa de Aline eu não me perco. Chegando no Hospital Belo Horizonte, desço do ônibus, ligo para Aline e ela veio me buscar na parada. Detalhe para blusa coral dela que me chamou tanta atenção que sabia que era ela.
Chegando na casa dela. Me senti uma morta fome. E o almoço era um tão sonhado feijão. Nossa, que deleite. Que alegria. Que feijão bom. Delicioso. Meu almoço foi feijão com arroz. Ai. Ali eu fui demasiadamente feliz. Depois do almoço eu fui ajudá-la a fazer pão de queijo. Até então, de todos os pães de queijo que existem a cada cem metros quadrados nessa cidade, o melhor de todos é o dela. Quando a noite caiu. Ela foi para aula e eu tinha que ir para minha. Marcelo, noivo dela. Me deixou na praça sete com Afonso Pena. Mas para ir para minha aula eu sabia caminho. Não me perdi.
Assisti aula. Normal. Era de fotografia, foi bacana. Como era a última aula do professor fomos fazer uma “despedida”. Fomos ao Bolão, em Santa Tereza. Um bar conhecido por ter dado apoio as bandas mineiras. Tanto que bandas como Sepultura e Skank, dão de presente ao bar discos de ouro, prêmios que ganharam. É bem legal. Quando menos esperávamos caí uma tempestade. Ora, para mim é tempestade. Não vejo raio cair sempre. Não ouço barulho de trovão sempre. Foi um chuvão. E depois o céu limpou. E nós fomos ver o dia nascer da praça do Papa.
Eu poderia até mudar o título da história para uma segunda-feira muito louca. Porque de tão maluca como ela começou, terminou de forma bastante poética. O sol nascendo. As imagens aparecendo por trás das nevoas. Mas prefiro pensar nela como uma segunda diferente, que tinha tudo para ser uma merda e acabou sendo um dia muito especial e feliz. Essa sim, será uma segunda-feira em minha vida.
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 8:19 PM
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Domingo, Março 02, 2008
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Lava roupa todo dia
Ai! Sexta-feira foi um dia bem cansativo. Dia de lavar e arrumar a casa. E o pior, decidir com que roupa ir para aula. A gente nunca sabe o que pode acontecer numa sexta-feira à noite.
Bem, saindo da aula fomos à Praça de Santa Tereza num barzinho chamado Bolão.
Chegando lá estava muito cheio, então como em Santa Tereza tem muito boteco andando a gente ia encontrar mais. Passamos por um forró. O povo daqui curte, mas pelo menos é um forró de raiz, não é aquele forró eletrônico, horroroso. Mas continuando paramos num bar chamado “Desde 99”, o ano em que ele abriu o bar. Uma onda, não é o nome? Lá estava no esquema feirinha, sabe? A gente encostado nos carros conversando. Foi muito legal. Saindo de lá, voltamos ao Bolão e dessa vez havia mesas. Sentamos conversamos muito. O pessoal da minha turma é muito gente boa.
Indo para casa começou a chover. Daí, um colega chamou a gente para ir nos proteger da chuva na casa dele. Chegando lá, estava todo mundo com fome. Advinha, quem foi cozinhar? Eu! Estou me achando uma “mestre cuca”. Fiz um dificílimo miojo. Mas houve um plus fiz um molho muito doido lá, mas ficou bom. Parando de chover eu voltamos para casa.
Momento leseira: Quando a gente saiu da casa de Cadu, a gente não viu o porteiro, ficamos esperando um tempão e nada. Eu comecei a ficar puta, né? Como se faz para sair do prédio? Quem vai comprar pão, como faz? Daí, me veio um estalo. Para abrir o portão daqui de casa, tem que apertar um botãozinho. Resolvi dá uma ré e procurar o pitoco. E não é que ele estava lá. Passamos quase vinte minutos trancados de lesos. Ai Deus!
Cheguei em casa de manhã. Cansada que só. Fui dormir.
Sábado
Tarde
Acordei umas duas e pouquinho. Comi alguma coisa e voltei a dormir. Resolvi pegar a televisão que fica na sala e levar para meu quarto. Tatiana nunca está em casa mesmo.
Noite
Acordei de novo as seis e tantas. Nossa, quando olhei o celular muita gente tinha me ligado. Mas eu já havia decidido que ia ficar em casa mesmo. Eu estava morta. Eu estava com vontade de comer pizza mas estava com preguiça. Só tive coragem de fazer alguma coisa pra jantar porque eu estava com fome. Se não eu tinha ficado assistindo tevê mesmo. Jantei, tomei banho e assisti tevê. E fui dormir de novo.
Domingo
Gente, dormi até nove e tantas. Não sei até agora aonde eu arranjei tanto sono. Fui então, fazer tapioca. Mas não deu certo de jeito nenhum. Não sei o que aconteceu. Desisti, né? Comi o queijo assado. E fiz um leitinho quente. O clima está esfriando.
Resolvi ligar o computador pra ver se eu capto algum sinal. Ele está bem fraquinho mas ele funciona quando quer.
Tarde
Estou aqui esperando a hora da fome para ir fazer meu almoço. Meu sonho hoje era ser convidada para almoçar na casa de alguém. Ou almoçar na minha casinha daí, ou na casa de painho, como sempre fazia aos domingos. Mas já que estou aqui e não aí, vamos para a cozinha ralar o bucho no fogão.
Depois mando mais notícias.
Saudades incomensuráveis.
Beijos.
Cê.
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 3:11 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
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Aviso aos navegantes
E aí, meu povo? Tudo jóia? Vou começar do domingo. No sábado, acho que eu falei que havia dormido na casa de Amanda e de manhã voltei para casa num domingo chuvoso. Chegando a casa fui tomar um banho quente, afinal, havia tomado chuva. Depois fui fazer meu almoço, como eu havia comprado uma abobrinha na feira no sábado, fiquei morrendo de vontade de comê-la. Daí resolvi faze-la do jeito que eu via mainha fazer. Assim o fiz, mas salguei e muito a abobrinha. Ficou horrível. Não deu para comer mesmo. Fiquei puta e fui dormir. Mas antes disso me ligaram para ir à Praça da Liberdade. E fui! Ah, vocês já sabem disso. Eu acabei de ver que eu já havia falado até a festa do Oscar. Bem. Já era. Não vou apagar não.
Segunda-feira
Segunda, acordei tarde, tipo umas onze e tantinho. Fui fazer meu almoço. Quero que fique registrado aqui o dia em que fiz meu primeiro arroz sem ser feito em cuscuzeira. Refoguei o bicho, depois coloquei a água. Ficou um pouco duro, mas ele era integral, então a culpa é do arroz. Como acordei tarde, o frango estava ultra-congelado. Demorou horrores para ele descongelar. Mas o jeito era esperar. Então, pensei o que fazer? Hum. Abobrinha? Ah, não. De novo não. Tem cenoura! Cenoura? Não, não. Cenoura não. Batata? Batata! Batata sim, uma ótima idéia. Mas que tipo de batata? Um purê. É mais simples, não é. Mas como se faz purê? Ah, sei lá. Hanna fez um lá quando eu ainda estava na casa de Binha. E ela ficava perguntando pra mãe detalhes. Ufa. Lembrei dos detalhes. E não é que deu certo! Deu tudo certo. O frango descongelou, cortei-o em tirinhas, piquei pimentão, tomate e abobrinha, não resisti. Refoguei tudo e coloquei um pouquinho de shoyu. Deu certíssimo. Sobrou um pouco do almoço e eu resolvi comer no jantar. Aqui em casa nada vai pro lixo. Só se passar a validade. E sim, ainda sobrou purê. Mas quando chegar a terça-feira eu digo para vocês o que eu fiz com ele. Cenas para o próximo capítulo.
Noite
Bem, segunda-feira é dia de aula. Tive aula de fotografia Still. Quando terminou a aula o professor disse que ia ter uma exposição de fotografia num bar chamado Conservatório. Eu e Felipe, colega meu do Espírito Santo, convidou a gente topa. E como, ele também mora aqui em Floresta, pertinho de casa, então tudo certo já. Eu nem ia, tava com frio tomei um super banho de chuva para chegar ao curso. Mas resolvi ir. Fomos Felipe, eu, Bruno (professor), Mariana (colega) e Thiago (colega). O pessoal muito gente boa. Nossa. Conhecemos um fotógrafo muito engraçado que fazia umas piadas muito doidas, eu morri de rir. O povo daqui adora meu sotaque, pelo menos não tiram muita onda. Saindo do conservatório, fomos para a praça do papa, que fica num morrinho que dá para ver Belo Horizonte. Como era alto senti um frio da porra. Eu estava congelando, mas o restante tava só sentindo um friozinho. Saindo do praça, fomos ao mirante que daí sim, dava pra ter uma boa panorâmica de Belo Horizonte. Gente, lindo demais. O professor se empolgou e começou a levar a gente para uns pontos turísticos daqui. Muito legal. Fomos na ladeira, sei lá o quê do amendoim. Que é um ponto daqui que se você desligar o carro ele anda só. E se você jogar um líquido ele sobe. Dizem que é ilusão de óptica. Bem, não funcionou não a história do carro. Quem sabe em outra oportunidade funcione. Conheci a tobogã da Contorno. A contorno é uma avenida daqui que é “circular”. Belo Horizonte foi projetada para ficar dentro da Contorno, mas a cidade cresceu bastante e ela vai muito além da Contorno. O tobogã são umas ladeiras que dá friozinho na barriga. Essa foi minha segunda-feira. Detalhe para o bar tinha gente animada na segunda-feira.
Terça-feira
Aproveitar o sol para lavar roupa. Mas antes de tudo. Fazer almoço. Sabe o purê que sobrou do almoço de segunda. Quis fazer um bolinho de batata, parecido com um bolinho de macaxeira. Mas como eu vou fazer isso? E agora, quem vai poder me defender? Lá vamos nós para mais uma cena de divagações entre eu e eu mesma. Eu não sei fazer isso! Pois é, mas você pode inventar! Inventar? É mesmo, não é? Eu tenho farinha de trigo. Eu pego o purê coloco farinha de trigo e faço um bolinho. Simples assim. Tá, então vamos picar tomate e pimentão. Ok, já é! Hum, sabe o que seria bom também? Ai, o que? Colocar queijo coalho no meio! Sério? Ah, fica. É, queijo coalho é bom, batata é bom, então deve ficar gostoso.
Fiquei sem paciência de fazer os bolinhos e acabei fazendo um bolão. E não é que ficou bom. Ficou parecido com o gosto de batatas suíças que há anos eu tento fazer. Achei um genérico.
Tarde
Fui assistir um documentário sobre Norman McLaren, eu acho que já havia falado nele. Ele fazia animações desenhando e pintando sobre a película. O cabra era doido mas muito inteligente. Saindo de lá fomos para a Praça da Estação. Procurem no google é pertinho daqui de casa. Sim, fomos assistir uma palestra com Arnaldo Antunes. Foi bem legal. Ainda tem mais, calma. Fomos ao Teatro Francisco Nunes, assistir um show de Kristoff Silva, é um músico daqui. O som dele é bem legal. E tudo isso de grátis.
Noite
Saindo de lá, eu tinha combinado com Binha de me encontrar com ela lá no Conservatório, era aniversário de um amigo dela. Estava rolando um blues bem legal. E sim, meninas, amigas solteiras, não se desesperem ainda existem heterossexuais no mundo. Não é lenda não, eu vi. No blues tinha mais homem que mulheres. Nunca tinha visto isso.
Quarta-feira
Dia preguiçoso não tive vontade de fazer nada. Advinha quem veio para tomar café-da-manhã? Tati! Descobri que tinha sido o aniversário dela na terça-feira. Conversamos um pouco e logo, eles saíram. Passei o dia comendo pão-de-queijo. Eu falei que estava com preguiça. Quando foram umas 15h, fui fazer um exercício de roteiro. Desde quarta passada eu fiquei matutando uma idéia. E nada de idéia. Meu Deus. Deu branco. Não saía prestasse. Até que tive uma idéia muito louca. Nossa Senhora. Depois eu falo pra vocês.
Tomei banho e fui para aula.
Noite
Na aula apresentei minha idéia. Acho que as pessoas não acharam interessante, pelo menos não houve manifestação. O professor contestou algumas coisas que eu dei toda razão para ele. Eu tenho que amarrar mais minha idéia. O tema é protagonista. Quem é o protagonista de sua vida? Quando eu era pirralha, eu entrava em conflito quando eu parava pra pensar se as outras pessoas faziam parte de minha vida, ou era eu a coadjuvante da vida dos outros. Tipo, eu existia apenas para que alguém esbarrasse em mim, e mais tarde eu faria parte da história do outro. Isso é muito louco não é? Pois é. A base é essa.
Pós- aula
Está virando rotina sair depois da aula. Tem um boteco na esquina da escola. O bar do Chuba. Eu acho que é isso. Muito legal lá. Tem várias fotos de time de futebol e de pessoas. Eu acho que tinha uma foto de Elba Ramalho lá. Naquela fase que ela usava uma moita na cabeça. Eu contestei minha saída. Segunda, terça e quarta. Daí, Cláudio, professor de roteiro me falou. Seja bem-vinda a Belo Horizonte, aqui nós não temos mar, então temos que arranjar o que fazer. Então, eu fico olhando o povo bebendo e como isso é normal para eles.
Quinta-feira
Acordei. Fui fazer meu almoço. Acordei tarde de novo. E não estava com paciência de esperar o frango descongelar. Então fui inventar algo. Bem, comer macarrão é sempre mais fácil. Estou virando expert. Advinha o que eu fiz? Abobrinha! Ela não acaba. Mas eu não ia comer macarrão com abobrinha. Muito seco. Daí, advinha? Piquei tomate e pimentão. Não, eu não tenho outra coisa pra picar. Só isso mesmo. Sim, azeitonas. Refoguei tudo. Bem, resolvi arriscar. Eu tinha comprado um requeijão. E tinha uma caixinha de leite. Resolvi misturar tudo. Imaginando que isso não poderia dar certo. Coloquei o tempero pronto. Ficou molinho o pobre. Parecia mais um leite. Pensei: não vou comer isso. Dialogando comigo mesma parte dois. Mas se depois que o macarrão estiver pronto eu colocar ele junto desse leitinho, será que ele não fica mais consistente? Vamos tentar. Quem vai ter que comer sou eu mesma. Fiz a gororoba. Mas ainda tava muito leitinho. Eis que surge uma idéia. Por que não colocar farinha de trigo? Acho que o leitinho vai pelo menos engrossar. Coloquei. Ih, que medo. Lembre que algum dia de minha vida alguém falou algo do tipo pode embolorar. Lasquei-me. Vai virar mesmo algo muito ruim. Mas nem foi. Ficou bom. Juro. Acho que a base do molho branco deve ser essa. Bem, não sei.
Tarde
Amanda me mandou uma mensagem dizendo que tem uma vaga de produção cultural. Vou mandar meu currículo para o e-mail da produtora. Se a internet funcionar. O que eu gostaria muito. Ai! Gente, torçam aí por mim. Preciso de uma rotina urgente.
Noite
Fui ao Palácio das artes, eu moro lá. Tem um senhorzinho do cinema lá que já é todo amiga meu e de Amanda. Ontem começou uma mostra de crítica e realização audiovisual. Bem legal. Tinha um Pernambucano, Kleber Mendonça Filho, ele é o diretor de Vinil Verde, ele lançou um documentário sobre crítica cinematográfica fenomenal. Muito bom.
Sexta-feira
Hoje foi dia de Tonha como disse Nana. Varri, passei pano, lavei roupa, tirei lixo, fiz almoço... Cansei.
Depois eu conto o resto.
Beijos.
Saudades.
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postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 3:48 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
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As mais novas
Nós paramos na quarta-feira, não foi? Alias, acho que na terça-feira. Bem, na quarta, acordei cedinho para encontrar com Amanda pra gente tirar a carteira de trabalho. Marcamos para nos encontrar na praça sete. Dessa vez consegui chegar lá direitinho. Demos uma volta no quarteirão achando que estávamos chegando ao Ministério do Trabalho, mas acabamos no mesmo lugar de onde a gente havia saído. Nós encontramos, enfim, a rua e a gente foi em direção ao Ministério. Chegando lá tinha uma fila enorme, quase que a gente desistia, mas já que a gente já estava lá mesmo o jeito foi enfrentar a fila que até andou rápido. A senha que conseguimos era pra meio-dia, então, fomos passear pelo centro. Me sentindo a própria mineira, levei Amanda no mercado central, aquele mesmo que eu comprei a goma da tapioca. Depois eu conto sobre a tapioca que eu fiz.
Andamos, andamos, andamos, até decidirmos comer alguma coisa. Como comida de centro é sempre duvidosa a gente não sabia os lugares mais indicados, então, fomos comer algo no shopping cidade. Sabia que para entrar no banheiro de lá paga-se trinta centavos? Pois fiquem sabendo. Passear no centro não tem preço, mas lavar as mãos custa alguns poucos, contudo, representativos centavos.
Comemos e saímos correndo porque já era quase meio dia. Chegando ao Ministério, as nossas senhas já tinham sido chamadas. Mas ainda assim conseguimos fazer o cadastro. Dia 27 de fevereiro, entre as dez e as dezessete horas, vamos buscar nossas carteiras com o coração cheio de esperança de um emprego. Assim seja!
Quando cheguei em casa, fiquei com idéia fixa de comer tapioca. Daí, tentei secar a goma com guardanapos, porque aqui em caso só tem um pano de prato. Legal, né? Bem, desisti e voltei a tentar algumas vezes, até conseguir peneirar bem bonitinho. Olha que chique! Consegui comprar queijo coalho, não é tão bom quanto o daí mas é bonzinho. E comprei coco ralado. Foi uma luta encontrar coco ralado sem ser industrializado, e o que eu comprei não era ralado na hora, sabe? Tem um gosto esquisito, é bem seco, sem muito gosto. A minha tapioca se fosse só de queijo talvez tivesse ficado até boa, mas o coco não deu aquele “tcham” que eu gosto tanto. Minha tapioca não tinha o gosto daí, mas pelo menos deu pro gasto. Eu estava me achando uma moçinha fazendo tapioca.
À noite fui para aula. Nas quartas-feiras, eu tenho aula de roteiro. Ainda estamos no começinho, mas está sendo legal. Quando terminou a aula, o professor chamou a gente pra tomar uma, fomos em sete, acho, a turma é maior, mas cada um tinha o que fazer no dia seguinte. Então, fomos nós, pelo menos alguns. Eu estava com dor de cabeça, acabei que só tomei uns copinhos. Gente, pela amor de Deus! Quando um mineiro chamar você pra tomar uma, entende-se: vamos ali tomar uma gradezinha de cerveja! Quando eu fui embora faltava umas três cervejas pra completar uma grade! Juro por Deus.
Chegando em casa fiz um cronograma de coisas para fazer na quinta. Tipo, comprar vassouras, rodos, pano de chão e produtos de limpeza.
Quinta-feira
Acordei e fui atrás de vassouras e adjacências. Comprei tudo bonitinho e fiquei olhando pra elas e elas olhando pra mim. Eu ficava pensando se eu estava com disposição pra fazer faxina, e acabei sem fazer. Fui fazer meu almoço. Peguei o que sobrou do almoço que Binha fez pra mim na segunda-feira, deu um up grade e comi. Não estava ruim não. Mas bom, bom, como a comidinha de mamãe estava bem longe.
Eu estava disposta a passar o dia em casa, com preguiça, mas ao mesmo tempo esperando que algo aparecesse para fazer. Daí, eis que o telefone se manifesta e é Amanda me chamando para ir assistir mais uma mostra de curtas lá no palácio das artes. Saí de casa um tanto tarde, e como aprendi a chegar no centro andando, fui a pés para lá, o que me atrasou ainda mais e acabamos que perdemos a sessão as 17h, depois deu preguiça de assistir filmes e fomos andando até o café da Travessa, lá na Savassi. Muito legalzinho lá. A Savassi é o bairro dos barzinhos bem legais. Eu e Amanda temos o dom de presenciar momentos bizarros do cotidiano mineiro. É uma onda. Tinha um doido cantando coco num instrumento que é uma mistura com flauta, berrante e sei lá mais o quê. Muito tronxo!
Em casa mais uma vez estava só. Assisti “Queridos amigos” e foi dormir. Tive uns pesadelos loucos que eu estava tendo crises de asmas. Uma agonia só. Quando acordei, lembrei do sonho e pensei “É um sinal! Vá limpar seu quarto”. Peguei meus mais novos instrumentos e fui varrer o quarto. Meu pai eterno, o que era aquilo? Não sei se algum dia o quarto viu uma vassoura, mas se viu, fazia muito tempo. Prendi o ar e comecei a varrer, tirei a cama de lugar, varri tudo, até o teto. Era poeira, viu? Puta merda! Depois de ter varrido, peguei os dois panos de chão que eu comprei e peguei um balde emprestado de Tati, para dissolver uma solução para assoalho. Fiz lá a porra toda e passei no chão. Quando eu olhei a cor do pano, ele, o pobre estava bem pretinho demais. Ai que nojo. E ter que enfiar o bicho no balde, torcer. Afe Maria, que o ó. Mas fiz, né? Fazer o quê? Meu quarto tá tão limpinho e cheiroso, valeu a pena. Animada depois de ter feito a faxina no quarto. Resolvi dá uma geral na casa. Mas assim, não me dediquei tanto ao resto da casa, quanto ao meu quarto. Mas pelo menos a casa tá mais limpinha e cheirosa. E os méritos são meus! Todos meus!
Na hora do almoço fiquei com preguiça de ir no mercadinho comprar alguma coisa e nem queria comer as sobras, da sobra. Queria comer feijão. Mas nem sei fazer, nem tenho uma panela de pressão. Vocês não querem me dar, não? To tão precisada de panelas. Eu só tenho uma frigideira que eu comprei por R$3,99 numa loja de R$1,99. Ás vezes a comida sai temperadinha da panela, sabe? Com uns pontinhos pretos, quando eu vou ver, é da panela. É uma onda! Sim, voltando. Meu almoço, ou lanche, a refeição que eu fiz hoje foi biscoito Bono, tava com preguiça mesmo. Comi sanduíche no jantar!
À noite, fui conhecer BH Underground. Brincadeira! Fomos, eu e Amanda, para um bar chamado Matriz, é mais tipo uma casa de show. O lugar era bem bonitinho. Assim, era legalzinho, meio escondidinho, escuro, com umas luzes amarelas em determinados pontos. Iam tocar bandas instrumentais, a princípio pensei: Que saco! Mas não, as bandas eram ótimas, curti muito.
Sábado-feira
Amanda dormiu aqui em casa, ficava melhor voltar as duas para um mesmo lugar que cada uma para suas casas. Enquanto ela dormia eu fui nos mercadinhos que tem aqui por perto e complementei a feira. Pasmem! Eu entrei num açougue. Eca! Mas tudo bem, são ossos do ofício. Comprei os bifezinhos já limpinhos de franguinhos para fazer um frango à parmegiana. É assim que se escreve? Fiz o molho, fiz tudo bem bonitinho, exceto por: eu resolvi não sei porque cargas d`água colocar farinha de trigo ao invés de rosca. Eu achava que era farinha de rosca, mas eu nunca tomo as decisões óbvias. Mas não ficou de todo ruim não. Deu pra comer direitinho, deu até pra jantar. Ora vejam a minha evolução culinária.
À tarde eu consegui achar um sinal de wi-fi entre a copa e a cozinha. Um sinal ruim que não era constante. Ué, pelo menos consegui responder alguns recadinhos do orkut. Colocar umas fotos. Espero conseguir encontrá-lo novamente.
Quando a noite caiu, fui encontrar com Amanda num bar. Pelo menos eu achava que era um bar, mas que para minha surpresa era uma boate cheia de sabe o quê? Sub-vinte cheio da grana. Minha primeira reação foi, vou ficar só um pouquinho pra não ser mal-educada, já que era aniversário do primo dela. As pessoas foram extremamente simpáticas. Mineiros são legais mesmo. Mas tunts-tunts é além demais da conta. E cheio de gente, foi me dando uma agonia. Um pouco depois de meia-noite, eu estava caindo de sono e resolvi vir pra casa. Mas ninguém deixou e eu acabei dormindo na casa de Amanda.
Domingo chuvoso
Ave Maria do céu amado, que toró! Só ouvia o trovejar e os raios bem sutis fazendo um clarão um tanto distante de onde a gente estava. Quando tomei consciência que era chuva mesmo, um lascou tudo surgiu lindo na minha mente. Eita, que essa frase ficou bonita, gostei! Era chuva forte mesmo. E eu me sentindo suja com cheiro de cigarro com os dentes sem ter escovado, foi me dando uma turica, uma vontade de ir embora. Na hora do acalmar da chuva. Outra frase bonita. Eu piquei a mula. Picar a mula? Que anti-romântico! Estava chovendo menos e vi naquele determinado momento que dava pra chegar em casa. E cheguei.
Já na minha casinha, tomei uma banho bem quentinho. E aqui estou eu relatando certos detalhes de minha vida. E procurando o sinal. Se alguém o vir por aí, diz que eu estou atrás dele.
À tarde fez sol. Muito louco, mas estava frio. Quando foi pero das 17h saí de casa para encontrar uma galerinha gente boa na praça da liberdade. É tipo uma calçadinha concentrada de gente de todas as tribos, idades. É uma onda.
Quando a noite chegou fomos, me chamem de brega, pra festa do Oscar. Sim, eu e uns colegas lá da escola ganhamos umas cortesias para ir numa festa no Cine Belas Artes assistir a premiação dos Oscar. Não pagava pra entrar, e era tudo grátis. Ficamos até o fim. Foi muito engraçada. hahahahahahah
Queridos, vou ficando por aqui.
Beijos,
Até breve.
Cê.
p.s: Fui fazer meu almoço.Contenção de despesas, né? Mas que eu queria comer uma comida boa, eu queria. Salguei meu almoço. E eu que achava que estava evoluindo. Isso foi ontem, no domingo. Meu almoço hoje ficou bom. Tô uma moçinha.
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postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 2:30 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008
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Ó eu aqui de novo
Vamos continuar com os relatos do sábado. Fui almoçar na casa de Binha (Bárbara), comi peixe. Depois fomos a um samba lá na Savassi (um bairro), no bar da Dalva. Bem, a principio parecia aqueles sambas que tinham lá no Manjericão, logo após, entrou um grupo de chorinho.
Deixa eu tentar descrever o bar. Nas paredes haviam fotos, pinturas de grandes compositores e cantores brasileiros.Mas o que chamou atenção foi um quadro grande com o rosto de Vinícius de Moraes entre um freezer da BOHEMIA, e um letreiro também da BOHEMIA. Que redundância, não?
Fui pro samba com Binha, amigos dela, depois chegou Amanda, uma amiga que fiz ainda na internet, que é de Goiás. Eu já falei dela? Pois bem, estávamos todos lá no bar da Dalva. E sim, eu vi pessoas bonitas. Hahhahahhahah
Saindo do sambinha lá, fomos ao bar Temático. Onde tem umas comidinhas premiadas no festival de comida de boteco. Bem, advinha o que eu comi lá? Macaxeira cozida com queijo de coalho. Ah, como eu fui feliz! E depois vi que lá tem patola e casquinha de caranguejo! Feliz? Sim! Na porta tinha um Lampião e uma Maria Bonita, o dono era um nordestino que o garçom, Soares, não soube me dizer de qual Estado.
Voltando para casa, entrei em casa na pontinha dos pés, para não acordar Tati, minha colega de casa, já falei dela? Bem, cenas para o próximo capítulo. Ela não estava em casa. Bem, comi um sanduíche e fui dormir. Não preciso dizer que escovei os dentes e pá, e tal, né? Dormi de pinga-pinga, acordava a cada duas horas. Como notei que estava sozinha em casa, resolvi dormir até umas duas, três horas da tarde, assim o domingo seria menor.
Vamos ao domingo.
Hum, domingo. O domingo a partir de hoje vai ser o dia oficial da Saudade. Nossa, senti saudade de quase tudo. Senti falta de ser acordar as 11h para almoçar com painho. Senti saudade de ouvir vovó brigando com Paulinho. Saudade do bolo de passas de mainha, detalhe para o fato de eu detestar passas. Até de catar as passas do bolo. Saudade de entrar na internet perto das 17h, para combinar de fazer alguma coisa. E aí, vamos ao cinema? Saudade dos amigos. Saudade do meu irmão. Saudade da vida daí. Mas não se preocupem está tudo bem por aqui. Estou gostando. Mas saudade é algo meio inevitável, né não?
Ainda no domingo. Marquem este dia nas suas agendas. Dia 17 de fevereiro de 2008. Eu, Ce, fiz meu próprio almoço. Como assim, Bial? Pois bem, comprei aqueles temperos, sabe? Tipo alho, cebola e sal. Eu não consegui comprar separados. Comprei um extrato de tomate e atum. Refoguei na manteiga os temperos e o atum. Depois coloquei o extrato de tomate diluído com um pouco de água. Depois fiz o macarrão. Não era instantâneo, tá? Fiz um macarrão mesmo. No final das contas não ficou bom, ficou um pouco salgado, mas também não estava ruim. Deu pra comer beleza. Claro, que com coca-cola desce mais fácil, mas com o tempo a gente aprende.
Advinha, quem apareceu? Tati! Eu estava achando que morava sozinha mesmo. Conheci o namorado dela, Marcos. Eles são gente boa. Um povo tranqüilo. Ela também não come vermelha. Imagina, nem vou me deparar com pedaçinhos de vaquinhas no freezer.
Planos para a segunda-feira
Tem um mercado central aqui. Alias, em todo mundo deve haver uma. Dã! Vou atrás de sabe o que? Goma de tapioca. Vou tentar fazer tapioca. Queijo coalho aqui tem. Coco ralado deve ter também, eu acho. Então, o problema maior vai ser encontrar a goma. Sabe o que eu encontrei lá. Quase tudo. Só não consegui fazer a tapioca. Eu coloquei a goma lá de molho.
Ó segunda-feira
Uau! Eu quase entro em colapso no curso. Na hora do intervalo a gente vai pro Hitchcoffe, que fica na escola mesmo. O céu abertão de repente só escuto os pipocos de “tandera”, uns trovões bem legais que vinham seguidos de raios, longes, mas raios. Assim, estou exagerando um pouco. Mas sabemos que esses momentos são raros aí. Aqui são comuns. Fiquei com um medo da porra, não vou mentir pra morrer preta! Eu rezando pra Tati está em casa, minha veia Chapolim Colarado estava mais aflorada que nunca. Mas ela nem estava. Liguei a tevê para me atualizar e abstrair os clarões e os pipocos. Assisti o primeiro episódio de “Queridos Amigos”, vem cá aquilo lá é um filme, né não? Inglês se não me engano. Será com Emma Topson, hein?
Assim, sabe o que mais gostei? Pasmem! Foi de ver os conterrâneos nem tão velhos de guerra na telinha. Pra vocês devem ser besteira. Mas é um tanto confortante ouvir nosso sotaque, verdadeiro, nem que seja “de longe”. Quando vi Luis Carlos Vasconcelos, Mayana e até o próprio Ravi, me senti mais próxima daí.
Terça-feira chegou
Eita, que o tempo está esfriando. Depois de dias de calor e sol intenso. Uma chuva fina e chata, e um friozinho, até então, suportável apareceram. Eu sabia que deveria ter ido lavar roupa ontem. Mas beleza, hoje só está frio e chovendo. É pra me acostumar ao clima. Lavei a roupa e depois fui almoçar. Um parêntese, eu “fiz” meu almoço! Peguei sobras do almoço de domingo e de ontem, e criei uma gororoba pra comer hoje. É melhor nem comentar.
Durante tarde fui com Amanda no Ministério do Trabalho pra gente fazer nossas carteiras. Me perdi pra variar. Alias, me desorientei. Mas consegui encontrar com ela. Fila da porra. Deixamos para amanhã às 8h. Fomos depois para O palácio das artes penso demais em vocês lá. Tem exposição de fotografia e afins, espetáculos de teatro e dança, mostras de cinema. Fomos assistir a mostra de curtas de Norman McLaren, foi um doidinho radicado canadense que fazia animações desenhando e pintando sobre a película. Muito louco! Depois fomos ver um exposição de fotografia com retratos de comunidades de quilombolas, não consegui lembrar do nome do fotógrafo, mas o cabra é bom!
Nossa, eu tenho que arranjar internet urgente, não é? Ou começar a escrever algo que não seja meu dia.
Como eu aprendi a ligar a televisão daqui faz pouco tempo, por isso que meus posts estão assim, grandes. Não tem internet, estava sem televisão. O que fazer? Ler, escrever e ouvir música.
Eu escrevo tudo que eu quero no PCê e depois eu mando pro pen drive e procuro uma lan house para postar. E procuro também lugares próximos que tenham Wi-Fi, até agora não nem uma, nem outra. Mas se vocês estiverem lendo isso é porque mudou. E eu encontrei.
Amo vocês.
Vou ficando por aqui.
Beijos.
Saudades incomensuráveis.
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postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 2:27 PM
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Sábado, Fevereiro 16, 2008
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Notícias daqui
Bem, faz tempo que eu não atualizo vocês das coisas que estão acontecendo por aqui. Pois bem, vou atualizá-los.
Segunda-feira
Começaram minhas aulas lá na Escola Livre de Cinema. Como sempre a primeira aula é inaugural pra gente conhecer alguns professores, o espaço, e os coleguinhas, é claro. Os professores são bons, eles são bem científicos, isso é bom porque as aulas são bem profundas. Os coleguinhas são muito gente boa, alguns ainda não conversei, mas todo mundo ficou espantado quando eu disse que vim de João Pessoa, para fazer o curso.
Depois da aula, tive que voltar pra casa, com um mapinha do bairro pronde eu ia, com o número do ônibus, com tudo. Mas eu sou muito lesa, sei lá, me perdi lindo. Uma moça, nem tão moça assim, chamada Dora, me ajudou, fui no ônibus com ela, e ela me explicou como chegar em casa. Mais um vez me abestalhei e me perdi de novo. Me perdi ainda mais lindo. Mas ainda bem que Belo Horizonte é a cidade oficial dos Botecos, e sempre tem gente na rua. Encontrei com um senhor chamado Gilson, que me explicou como chegar em casa. Vocês não tem noção da ladeira não. Minha gente, ela era enorme e íngreme, eu achava que meu coração ia entrar em colapso, o bicho tava mais doido que nunca, batendo descompensado e forte. Cheguei em casa roxa, morrendo de sede e cansada. Foi daí, que eu resolvi vir morar no bairro da escola, tem ladeira mas não aquela.
Terça-feira
Foi quando eu passei o dia inteiro procurando lugar pra morar ligando pra muitas pessoas atrás de quarto vago. Mas lembrei de um detalhe, pela manhã fui conversar com um amigo de Bárbara que trabalha pra FGV (Fundação Getúlio Vargas), e ele quer fazer umas vídeo-aulas para ensino a longa distância. Bem, o que ele queria estava muito além do que eu podia fazer. Era mais trabalho de web designer, do que de videastas/cineastas. Na minha saga em busca de um lar, fui num bairro muito simpático olhar uns quartos. Mais uma ladeira terrível. Quando eu cheguei no lugar eu entrei porque já havia ido até lá, então, não podia mais desistir. Era tipo uma pousada mas com banheiro coletivo. E nem tinha mais vaga. Bem, subir aquela ladeira todo dia e pegar busão todo dia estava fora de cogitação. Quando foi a noite eu vi na internet que tinha uma vaga no bairro do curso. Liguei, acertei de conhecer no outro dia a casa.
Quarta-feira
No outro dia fui na casa. É tão bonitinha parece casa de boneca. São diversas casas dentro de uma casa. Você não dá nada, mas daí tem uma vilinha, com casinhas, roxinhas, verdinhas, rosinhas. Me apaixonei pelo lugar. Daí combinei com a menina, e resolvi ficar. Infelizmente, ela conversou comigo e me disse que ia ter que entregar a casa daqui a um mês. Resolvi ficar mesmo assim. Não agüentava mais minhas roupas dentro de malas. Pelo menos eu tenho de quinze a vinte dias para descansar até voltar a incrível saga em busca de um novo lar.
Outro dia de aula. Minhas aulas são nas segundas, quartas e sextas. Eu ainda estava na casa de Bárbara, peguei o ônibus certo, parei no lugar certo, mas resolvi ser sabida (lê-se idxióta, daquele jeito que Flaviano fala) e ir reto porque daí eu chegava mais rápido na rua da escola. Advinha? Andei tanto que fui parar em outro bairro. Daí tive que voltar e subir mais uma vez uma ladeira horrorosa. Se eu não chegar gostosa dos pernão aí, eu dane! Depois de tudo isso me encontrei e achei a escola. Deixa eu falar uma coisa pra vocês, acho que nem os mineiros sabem, mas as ruas de Belo Horizonte à noite, elas saem do canto onde estão pra brincar de esconde-esconde. Nunca encontrei uma. E pra voltar, consegui uma carona. Uma colega minha, Camila, gente boníssima mora em Santa Efigênia pediu para o pai dela me deixar em casa.
Quinta-feira
De manhã fiz minha mudança, trouxe minhas malas e arrumei no quarto. Lavei minhas roupas pela segunda vez, advinha? Na mão. Que saudade de Geralda. Lavar roupa na mão é ruim demais, principalmente calça jeans, eu tenho a impressão que eu não tirei o sabão muito bem. As camisetinhas são até legais de lavar. Fui encontrar com Amanda, um menina de Goiás, que eu conheci ainda aí, pelo orkut. Ela é super gente boa, conheci uns amigos dela também. Nossa, o povo daqui é muito legal, mas tem seus chatonildos também. Sim, a gente se encontrou na Praça da Liberdade, é muito lindo lá, tem um coretinho, umas fontes que ficam umas crianças tomando banho nela. E se a gente passar pertinho molha, refresca. Aqui tá um calor da porra. Juro, que eu não estava preparada pra esse calor. Ainda bem que mainha mandou eu trazer umas roupinhas de verão, se não eu estaria fudida de calor. Depois fomos ao palácio das artes. Lindo lá, é onde as pessoas de teatro, cinemas, artes, se encontram para discutir, ou conversar sobre artes ou não.
Sexta-feira
Acordei. Fui tirar minhas roupas do varal. O que era aquilo? As roupas tudo dura, eu fiquei com medo que elas partissem. Uma dica para mim mesma: Compre um fofo! Lavei as roupas só com sabão em pó. Nossa! O ó.
Estou aqui decidindo se vou fazer uma feirinha e me aventurar na cozinha ou se vou ali em Tia Naná almoçar. Minha colega de casa não fica em casa, ou seja, eu vou ter que aprender a fazer minha comidinha. To lascada. Vou jantar sanduíche todo dia. E almoçar, só Deus sabe o que eu vou fazer.
Sábado
Vou almoçar na casa de Bárbara, e depois quando for umas 16h, nós vamos a um sambinha no bar de D. Dalva. Assim, que eu puder eu atualizo ainda mais as novidades por aqui.
Eu acho que vocês devem estar cansados de ler esse post gigante. Vou ficar por aqui. Ainda estou sem internet. Por isso as vezes eu demoro pra responder algumas coisas.
Estou cheia de saudades aqui comigo.
Um grande, enorme, gigante beijo.
=***
efeito colateral:
postado por: CECÍLIA JAPIASSÚ PORTO 12:49 PM
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